PÚBLICO, QUA 24 AGO 2016 : pulverizando em defesa dos rastos químicos

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Nada é por acaso – 1

Os últimos meses foram férteis em Céus sujos por rastos químicos. A alguns de nós o “fenómeno” não  passou desapercebido tão flagrante ele foi. Mesmo escandaloso !!! Alguém que ainda pensava “que não, aquilo não pode acontecer na realidade”, pôde concluir que, de facto, em certos dias um número variável de aviões andavam num corropio a largar substâncias na atmosfera sob a forma de rastos . Os aviões surgiam não se sabe de onde a largar os rastos que eram anormalmente extensos e duravam largos minutos e horas até se transformarem numa poeira rasa, impossível de ser confundida com núvens normais, dessas que se criam nos oceanos pela evaporação da água. A cidade do Porto no dia 03 agosto tinha um céu horroroso e fantasmagórico; o seu centro registava os rastos sobre os edifícios da Câmara e da Avenida dos Aliados num espectáculo funesto e absurdo ! A vida citadina não se alterou, o turista anda distraído, os residentes têm muitas outras e graves preocupações … Só talvez meia dúzia de máquinas fotográficas foram dirigidas ao “fenómeno” e registaram-no implacàvelmente no seu aspecto pouco artístico mas suficientemente absurdo para ser captado e arquivado para futuras diligências. Em tempo de passeios estivais os rastos químicos foram vistos na zona de Murça/Alijó, na Serra da Estrela (Guarda, Folgosinho), Lamego/Régua e sempre fotografados (ver posts anteriores sobre rastos).

Com tais documentos (ficheiros das fotos em jpeg) contactei os ministérios que julguei terem algo a ver com a actividade que cria o “fenómeno” na esperança de obter uma qualquer informação sobre o assunto; o Chefe do Gabinete do Ministro Adjunto do 1º Ministro mandou responder que tinha enviado o meu pedido ao … Gabinete do Ministro do Planeamento e Infraestruturas ! A direcção geral do ambiente respondeu com a teoria dos contrails (gases de escape cujo vapôr de água condensa e fica a pairar horas e horas e horas… não se sabe até quando).

E ainda: existe uma petição pública solicitando aos Srs Deputados que exijam do governo explicações sobre os rastos químicos e que as divulgue à opinião pública. Estão criados vários blogues sobre este assunto, bem documentados com fotografias ( um deles mostra o Gerês, tràgicamente, sob a cenografia do infeliz  “fenómeno”).

O assunto mexe !!!

Nada é por acaso – 2

Vá lá saber-se porque é que o PÚBLICO decidiu dedicar 2 fartas páginas em lugar nobre da sua edição aos rastos químicos … Eu não sou leitor do jornal desde que o incrível José Manuel Fernandes se arvorou em porta-voz nacional de WC Bush, esse cowboy vaidoso e pouco inteligente que chegou em nome da família a ser presidente dos usa. Compreendi que o PÚBLICO era o jornal nacional designado para ter no nosso país a opinião  da Casa Branca e do Pentágono e tanto bastou.

E cá temos de novo o jornal a cumprir com a sua função, (já não justificando uma guerra injusta e fraudulenta quanto aos seus invocados motivos, antes, e resultados absolutamente funestos, depois), agora num assunto mais “soft” mas com o risco de repercuções indesejáveis pelo alerta da opinião pública e a exigência do conhecimento da verdade.

Outro motivo para o texto do PÚBLICO pode ser (vamos a mais uma fatia de conspiração …) preparar as pessoas para aceitarem pulverizações mais frequentes e/ou mais intensas num futuro próximo … disseminando a opinião de que os rastos, já que existem (porque são vistos e fotografados) não são nada (coisas da lei física que funciona para uns aviões, para outros já não ou talvez, mas …).

E encarregaram da “tarefa jornalística concreta” uma toupeira, alguém que não olha o céu, não viu nunca os aviões a sobrevoarem-lhe a cabeça, não conhece os voos comerciais que passam no nosso espaço aéreo, nem se deu ao trabalho de o observar e estudar em dias de pulverizações ! Bichos subterrâneos e sem olhos são assim !

Nada é por acaso – 3

O género de artigo

A feitura do texto segue os cânones dos artigos dirigidos à formação rápida (digest) de opinião, com um cabeçalho que interroga e dá, antes da sua leitura, a respectiva resposta (digest). É pretensamente científico mas esquece os factores principais. A própria fotografia não esclarece nada porque mostra o que é vulgar ver-se quando os rastos químicos são produzidos, omitindo dados como se a trajectória dos aviões é a correcta (nunca vi dois aviões comerciais voarem em sentidos contrários tão próximos …), referir a altura de voo dos aparelhos, a temperatura do ar que atravessavam e a humidade respectiva. Os próprios “cientistas” avocados exprimem-se por opiniões suas e de respostas a inquéritos sem uma única medição de parâmetros que provocam ou influenciam o “fenómeno”. Pode dizer-se que se os cientistas made in usa fizessem a sua principal investigação assim, ainda estavam na idade da pedra !!!

A passagem pela teoria da conspiração para desacreditar os adversários da produção de rastos químicos, confirma mais uma vez que a figura “teoria da conspiração” só serve, na grande maioria dos casos, para isso mesmo (desacreditar) e é por isso utilizada numa matriz perfeitamente reconhecida de não esclarecimento e confusão (vale a pena conhecer quando, porquê e quem inventou e introduziu o “conceito” em causa).

É que se a ciência estivesse mesmo interessada em esclarecer a formação de rastos químicos, fá-lo-ia com toda a facilidade, dentro dos seus critérios: era necessário verificar dados e condições reais na atmosfera,estabelecer se nas mesmas condições os resultados são os mesmos. Isto é a ciência. Depois, talvez aqui já nem seja ciência, justificar ou encontrar os motivos porque é que se podem ver 2 e 3 aviões (não comerciais) a voarem em rotas absurdas, de sul para norte, de este para oeste e ao contrário, num período de tempo delimitado produzindo rastos por todo o céu, uma vezes paralelos e perpendiculares, outras oblíquos, com cotovelos e semi-círculos … coexistindo no ar todos por largas horas !

O artigo na especialidade

Em 1966 a Nasa interessando-se pelas alterações climáticas a cujo estudo procedia chamou ao caso vários departamentos governamentais e do estado, nomeadamente do foro militar (onde mais recursos são canalizados para a investigação aplicada); em 1996 a força aérea dos usa fez e foi conhecido um relatório onde se falava na hipótese de as alterações atmosféricas e climáticas serem uma arma possível num conflito bélico (ou antes, nunca se sabe …). Então a consciência de que algo podia estar a acontecer surgiu, e portanto não foi inventada do nada !

Quando os rastos químicos atingiram um certo quantum o fenómeno foi identificado e passou a ser motivo de análise e observação; quando se pergunta porque é que as pessoas não se preocupam com o vapor dos escapes dos carros, mas com os dos aviões, a resposta é simples: se os gases dos automóveis fossem vistos como traços brancos e durassem horas, fossem produzidos por uns carros e não por outros, aparecessem em dias de calor e de frio, com chuva ou sem ela, algo de estranho se passava e a teoria apareceria e seria prontamente aquilatada – como, porquê, com que fim e por quem ! Mas para isso não se fariam inquéritos de opinião, mesmo a “cientistas”, e sim observações e medições. O mistério desaparecia, a teoria com ele !

Os meus conhecimentos de física, no caso, chegam onde chega o bom senso e a minha observação. Olho para o céu: neste dia, a esta hora passa um avião comercial sobre a cidade do Porto e, pela altura a que vai, presumo que faz uma viagem de longo curso (do género Marraquexe- Londres ou Manchester, como posso verificar num dos sites radarvirtuel e/ou radarbox24); tenho sorte porque vai a fazer um rasto do escape dos motores – marco um ponto onde começa o rasto e conto pausadamente até ele desaparecer: posso contar até 10 e raramente até 30; quando deixo de ver o avião, já não há sinais do seu rasto, o céu está limpo e a atmosfera transparente mesmo no sítio onde passou. Faço este exercício várias vezes e sempre que tenho oportunidade, com os mesmos resultados – a física casa-se com o bom senso: vai a 10 ou 12 mil metros de altura, o ar está frio, o vapor de água condensa-se e passados segundos já não o vejo (não passou a núvem de partículas de gelo, concluo e até hoje, sempre).

Saio à rua uma manhã e vejo o céu traçado de rastos: são paralelos e enchem o meu horizonte visual; não vale a pena contar em segundos quanto tempo vão persistir, porque a minha experiência me diz que se vão transformar, em horas, numa poeira plana, fina e estriada. Uma vez contei 12 rastos paralelos (ou quase) em trás-os-montes: foram 12 aviões comerciais que numa manhã passaram ali (uns atrás dos outros ou em formação) com que destino ? Aqui (perto de Alijó), 3 rastos: a partir de certa altura deixam de estar alinhados e separam-se – os pilotos distraíram-se e de repente tiveram de rectificar as rotas ?

Pessoa amiga envia-me uma foto onde um longo rasto é cruzado por 3 outros quase na vertical; a fotografia foi feita no Porto cujo céu é percorrido por poucos voos (Lisboa, Faro e do norte da europa para África e do centro para a américa) além dos que aterram em Pedras Rubras e cujo voo de aproximação é fàcilmente reconhecido e onde nunca fica rasto. A física que explica os rastos, explica os voos ? Claro que NÃO, não mesmo, porque quando explicarmos os voos, explicaremos os rastos … e é exactamente isso que se evita a todo o custo !

Uma nota à opinião de João Monteiro do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia de Lisboa: a probabilidade de um governo pensar em ganhar uma guerra utilizando napalm combinado com um herbicida desfolhante era mínima, mínima: mas aconteceu e foi no Vietnam (todos sabemos, uns esquecem, outros não); a probabilidade da guerra do Iraque ter sido justificada com mentiras e embustes ridículos (que cabiam num tubo de ensaio de farinha na mão dum general usa momentâneamente (?) estúpido) era nula ou ínfima. Foi o que se viu e agora se sabe ! Já se vê, então, o quilate do argumento-opinião.

O artigo, finalmente, na generalidade

O texto é uma actualização dos argumentos que são sistemàticamente apresentados há largos anos por entidades difusas, embora lhe falte alguns pequenos pormenores: por exemplo, porque é que 2 estados americanos proibiram os voos nos quais se produziam rastos químicos ? Outro: porque é que opiniões de 77 cientistas (de 475 consultados, com 398 que não responderam, é de ter confiança estatística – que não ética – na amostra ?) são válidas sem nenhuma medição objectiva nem teste de coerência que, objectivamente, não pôde existir ? No “jornalismo de palpites” o que é que vale ?

Chega a ser ridículo que um texto sobre um “fenómeno” que nasceu evidentemente nos usa e se foi estendendo progressivamente a outros países – como se só recentemente as condições para o seu “aparecimento” estivessem reunidas,  quando há aviões a jacto no céu há décadas e frio a 12 mil metros desde sempre, embora com o “aquecimento global” ele esteja a ser menor ! – utilize os argumentos do seu criador sem nenhuma aderência à realidade, à experiência pessoal: duvido que para o jornalista do PÚBLICO exista céu, o céu que está ali, que se vê: limpo e transparente; com núvens naturais, umas de chuva, outras de vento e tempestade (cúmulos, cirros, cúmulo-cirros, …); com riscos brutais e sem fim, absurdos e artificiais, feitos por aviões (que ninguém quer identificar, nem mesmo quem “defende” o espaço aéreo nacional) que em voos em quadrícula e/ou esquadria tecem no céu uma capa de lixo não identificado e que as teorias da conspiração se divertem a interpretar ao acaso da disposição e da digestão de cada um que a elas se dedica.

Por azar muitas bateram certo !!!

Faço votos de que o PÚBLICO invista amanhã num texto que explique a formação dum céu de rastos traçados em quadrícula: é fácil (para um dado local e um período de tempo fixado) – basta identificar os voos que os produziram, o seu corredor aéreo (donde para onde, pelos pontos do controlo aéreo civil/militar), por companhia aérea; os tipos de aparelhos em causa (boeing, airbus, F16, …, possívelmente todos com rastos diferentes, identificáveis e classificáveis); as temperaturas do ar e a humidade por diferentes alturas, desde os 3.000 aos 12.000 metros; a duração de cada rasto; fotografias a documentar cada caso.

Se não tiver fundos para a investigação, solicite-os à embaixada que lhe der mais hipóteses de lhos facultar (sem exigir nada em troca, senão temos outro artigo “à medida”), porque do orçamento nacional não lhe sairá nada !!!

Rastos químicos ?

Em Portugal, sim, vejo-os com estes que a terra há-de comer !!!

 

 

 

 

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